fbpx

Índice do artigo

É desafiante a mística deste Domingo da Santíssima Trindade.

Quem não quer habitar um lar onde haja amor, onde a transparência das relações se cruzem tenuemente e se relaxem com tanta lentidão que o outro é sempre promovido?
Quem és tu, meu Deus? Uma pergunta que exige uma resposta global. Ver Deus não é possível senão por uma justa compreensão da totalidade do mundo. Os próprios sofrimentos e provações não afastam Deus para fora do mundo. Diz Teilhard de Chardin, grande cientista que nos deixou um grandioso testemunho espiritual: “Deus, que fez o homem para que este o encontre; Deus, que procuramos captar, às apalpadelas, nas nossas vidas, é um Deus que nos rodeia por toda a parte como o próprio mundo. Então, que vos falta para que possais atingi-l’O? Uma única coisa: vê-l’O”.
As leituras não nos apresentam definições filosófico-teológicas, ideias abstratas, mas, neste terceiro ciclo C, os traços característicos da criação inicial do cosmos (1.ª leitura), a graça que nos vem em Cristo e no Espírito (2.ª leitura), e a admirável união entre as três pessoas divinas (Evangelho). Desejo-vos Domingo contemplativo.
1. Introdução

Grande mistério de amor em comunhão que hoje nos é apresentado neste Domingo da Santíssima Trindade. Um só Deus em três pessoas. Proclamamos a glória de Deus e a exaltação do homem. «Os filhos do homem» sobem ao cume da criação. É feito com pergaminho de luxo na união entre a humanidade e a divindade. As leituras não nos apresentam definições filosófico-teológicas, ideias abstratas, mas, neste terceiro ciclo C, os traços característicos da criação inicial do cosmos (1.ª leitura), a graça que nos vem em Cristo e no Espírito (2.ª leitura), e a admirável união entre as três pessoas divinas (Evangelho).
2. Provérbios 8,22-31
2.1 Texto

Eis o que diz a Sabedoria de Deus: «O Senhor me criou como primícias da sua atividade, antes das suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui formada, desde o princípio, antes das origens da terra. Antes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das águas, já eu tinha sido concebida. Antes de se implantarem as montanhas e as colinas, já eu tinha nascido; ainda o Senhor não tinha feito a terra e os campos, nem os primeiros elementos do mundo. Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; quando traçava sobre o abismo a linha do horizonte, quando condensava as nuvens nas alturas, quando fortalecia as fontes dos abismos, quando impunha ao mar os seus limites para que as águas não ultrapassassem o seu termo, quando lançava os fundamentos da terra, eu estava a seu lado como arquiteto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença. Deleitava-me sobre a face da terra e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens».
2.2. Hinos de beleza

É a própria Sabedoria que canta esta pérola de beleza ímpar. Não resisto a recordar outros textos na mesma linha lógica. «No princípio Deus criou o Céu e a Ter¬ra...» (Gn 1,2). «Ó abismo de riqueza e sabedoria e conhecimento de Deus! Como são insondáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos! (Rm 11,33); “porque d'Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele a glória pelos séculos, Ámen!» (Rm11,36); «O Verbo estava no princípio junto de Deus, tudo foi feito por meio d'Ele, e sem Ele nada foi feito de tudo quanto existe. N'Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens» (Jo1, 2-4). Glória ao Senhor do criado.
3. Salmo 8
3.1. O que é o homem?

O salmo canta a grandeza do universo e a sua obra prima. Ao contemplar a beleza do criado sente-se indigno de tão grandes dons, pois tudo foi criado para o homem. Deus olha para o homem com gestos de amor.
4. Romanos 5,1-5
4.1 Texto

Irmãos: Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Mais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz a constância, a constância a virtude sólida, a virtude sólida a esperança. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
4. 2 Intimidade com Deus

Tudo em nós é graça que nos vem da experiência do mistério. É uma dádiva do amor e da presença do Espírito Santo no mais íntimo de nós. Paulo sintetiza falando-nos dos “frutos inefáveis” que se produzem em nós. O Pai dá-nos o amor; o Filho encarnado dá-nos a salvação pela morte e ressurreição; o Espírito Santo conduz os nossos passos, assiste-nos, robustecendo a esperança.
5. João 16,12-15
5.1 Texto

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir. Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».
5.2. Deus é amor

A essência de Deus é família, é comunhão. Neste texto sobressai o papel do Espírito Santo por nós já refletido na festa da Ascensão. Após a partida de Jesus, o discípulo vai repetir os gestos de salvação, vai pedir o dom da fé ao Divino Espírito Santo, vai-se deixar conduzir por Ele. O Paráclito mostrará o passado e iluminará o futuro sobre as “grandes obras de Deus”. Vai tornar presente o mistério pascal da morte e ressurreição de Jesus pelo qual todo o homem será salvo. Importante é reconhecer que o amor que o Pai nos tem não é um conceito teológico, abstrato, mas uma experiência comunicativa que Deus Trino tem com cada um de nós.


6. Meditação

A verdade toda inteira de que fala Jesus não consiste em fórmulas mais precisas, em conceitos ou raciocínios, mas numa sabedoria do viver preservada na condição terrena de Jesus. Uma sabedoria sobre o nascimento, sobre a vida, sobre a morte, sobre o amor, sobre mim e os outros, que o leva a dizer: «Eu sou a Verdade» (Jo 14,6), e com esta sugestão admirável, o Espírito, ensina-nos o segredo para sermos plena¬mente homens: no princípio de tudo o que existe é um laço de amor. O homem ou é relação, ou não é [homem]. O homem é ser de desejo e de busca (Esperança que nasce da Palavra).
7. Oração

Meu Deus, como me sinto pequeno, envolvido pelo teu mistério. Fico quieto, imóvel como quem sente a brisa sem saber de donde vem, o canto da onda da praia sem ver mar, areia, água. Lá longe, a música da flauta faz eco nos rochedos das margens. Vai e vem até que se cansa de ir e vir. Espelho da vida do homem. Tu és o vinho da festa, o som da orquestra, o incêndio das solidões. De Ti, ó Deus, brota a bondade, o carinho de amor onde me perco, um gesto de ternura que a terra afaga e que ninguém consegue sentir na plenitude. Pouco sei de Ti mas sempre Te procurarei, meu Deus, presente e ausente e longe.  
8. Contemplação

«Em Deus se descobrem novos mares, quanto mais se navega» (Luís de Leon).
Festa da Santíssima Trindade, dia da revelação de Deus.
Quando o homem lentamente descobre o caminho do plano que Deus tem sobre ele;
Quando a vida é manancial e fonte e rio a tornar o mundo mais agitado;
Quando o homem pressente que o sol e a lua e as estrelas e os peixes são um brinde para si;
Quando de olhos abertos, o homem prova o azedume da maldade e do fracasso
e sente Deus por perto;
Quando o homem encontra sentido de vida na alegria e na dor;
Então e só então se reconhece filho de Deus, Sua criatura
Ao ouvir pronunciado o seu nome em Jesus pelo Espírito.

 

Siga-nos

Visite as livrarias

Quem Somos

Somos uma editora católica, fiel ao carisma de S.João Bosco. Especializados em catequese e pastoral juvenil, estamos em Portugal há quase 70 anos. "Educação e Evangelização" é o nosso lema. Temos lojas próprias nas cidades do Porto, Lisboa e Évora e estamos presentes nas principais livrarias católicas portuguesas.

Contactos

Rua Duque de Palmela, 11
4000-373 PORTO

(+351) 225 365 750

edisal@edicoes.salesianos.pt