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6. Meditação
Só o amor cura. A pérola é esplêndida e preciosa. Nasce da dor. Nasce quando uma
ostra é ferida. Quando um corpo estranho – uma impureza, um grãozinho de areia
– penetra no seu interior e a habita, a concha começa a produzir uma substância (a
madrepérola) com que o cobre para proteger o seu corpo invadido. No fim, ter-se-á
formado uma bela pérola, brilhante e valiosa. Se não for ferida, a ostra nunca poderá
produzir pérolas, porque a pérola é uma ferida cicatrizada. (O Elogio da imperfeição).
Quantas feridas temos dentro de nós, quantas substâncias impuras nos habitam? Limites,
debilidades, pecados, fragilidades... E quantas feridas nas nossas relações interpessoais?
Como as vivemos? A única via de saída é envolver as nossas feridas com aquela
substância cicatrizante que é o amor; a única possibilidade de crescer e de ver as nossas
impurezas tornarem-se pérolas.
7. Oração
Creio, Senhor, que Tu me amas infinitamente e sentes admiração pelo homem. Quero
que venhas curar-me, quero abrir-Te o coração para que entres em minha casa. E venhas
habitar e transformar este espaço que quer ser só Teu. Como o centurião, dá-me
esse mínimo de simplicidade e humildade. Esvazia-me de mim e enche-me de Ti e do
teu Amor. Então uma imensa primavera estremecerá a terra, e tudo em nós voltará a
florir.
8. Contemplação
Não Te incomodes, Senhor, pois não mereço
que entres em minha casa, nem me julguei digno de ir ter contigo.
As boas obras que o centurião praticou constituem
um autêntico início no caminho da salvação.
A plenitude do homem começa com as boas obras e termina com a abertura
ao mistério salvífico de Deus.
Se o fogo que trouxe Jesus desceu ao âmago do mundo, foi afinal
para se apoderar de mim e me consumir.
Este é o calor desse fogo que abrasa o mundo: uma fé firme.
Poema
A fonte da humildade
Não Te incomodes, Senhor,
pois não mereço que entres em minha casa;
nem me julguei digno de ir ter contigo. Lc 7, 6-7

Eu sabia que só o amor vencia.
Eu sabia contaram-me em criança.
Só não sabia esta bela herança,
Nascida da fé que em mim crescia.

Centurião romano amado pelo povo
Semeaste a entrega que em ti floriu
Humilde cresceu sozinha de novo
Tudo perfumou à volta e partiu.

Meu Cristo divino da Galileia,
É noite em nosso mundo que passeias
Por entre estrelas é o teu caminho.
Quisera ser hoje o teu menino.

Igreja nascente na fonte da fé
Escuta o infinito da Igreja triunfante
Acordes de trombetas se ouvirão
Anjos, santos de Deus te aclamarão.

Virgem Maria, Mãe da humanidade
Brote em Teu jardim a mais bela flor
Recebam minhas mãos a humildade
Para poder repartir o Teu amor.

O trigo loiro foi ceifado
O rio transborda de alegria
É dia novo abençoado
Pela Mãe de Jesus Maria.

A minha alma glorifica o Senhor
Porque olhou para a Sua humilde serva. Lc1,46-48

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