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O Pe. Rocha Monteiro continua a ajudar-nos a fazer a Lectio divina das leituras do 4º Domingo da Quaresma.

 

1. Introdução
Maravilhoso Domingo. Na primeira leitura é a festa da Páscoa do povo israelita ao chegar à terra prometida, depois de tantos anos de peregrinação pelo deserto. No Evangelho encontramos a parábola do filho pródigo, com profunda expressão da misericórdia de Deus, neste Ano Jubilar. É “o coração do Evangelho”!
2. Jos 5,9a.10-12
2.1 Texto
Naqueles dias, disse o Senhor a Josué: «Hoje tirei de vós o opróbrio do Egipto». Os filhos de Israel acamparam em Gálgala e celebraram a Páscoa, no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó. No dia seguinte à Páscoa, comeram dos frutos da terra: pães ázimos e espigas assadas nesse mesmo dia. (...)
2.2.Mudança radical
É a festa da liberdade, da abundância generosa da natureza, dos frutos da terra. Vão cantando e dançando na abundância prometida por Deus. Os rigores do deserto ficaram para trás, mas ficou também o maná que deixou de cair. O termo “opróbrio” refere-se ao esquecimento da circuncisão nos tempos do deserto. Deus manda circuncidar o seu povo. É símbolo da aliança que Javé fez com Abraão. A gratuidade de Deus no deserto transforma-se numa outra gratuidade: a da salvação e da oferta da terra da promessa feita a Abraão (Gn 15,18).
3. Salmo 33 (34)
3.1 Saboreai e vede
Neste Salmo um pobre homem descreve-nos a bondade do Senhor. É a primeira parte do Salmo que nos é oferecida na liturgia de hoje. O “saboreai e vede como o Senhor é bom” tem o gosto e o sabor da liturgia eucarística. Em forma de ação de graças, eis o seu convite: “o seu louvor estará sempre na minha boca; a minha alma gloria-se no Senhor: escutem e alegrem-se os humildes”.
4. 2Cor 5,17-21
4.1 Texto
Irmãos: Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado. Tudo isto vem de Deus, que por Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. Na verdade, é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens e confiando-nos a palavra da reconciliação. (…)
4.2 O centro da nossa vida é Cristo
Ele assume o nosso pecado. Ao viver em Cristo o cristão é nova criatura, homem novo. Morre o que é velho e renasce para Deus. Ele é gerador de corações novos. Eis a grande novidade.
5. Lc 15,1-3.11-32
5.1 Texto 1
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: “Este homem acolhe os pecadores e come com eles”. Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: “Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. (…)
Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos. (…)
5.2. Apresentação da parábola
A beleza desta parábola envolve-nos num ambiente de homens reconciliados através do carinho, da ternura, da emoção dum Pai que nos ama até ao infinito. Na sua apresentação encontramos duas forças que se opõem: por um lado os fariseus e escribas que sem piedade desprezam e denigrem os pecadores, os marginais da sociedade, os sem direitos. E, por outro lado, Jesus, com a sua lei da misericórdia, perdoa, abraça e come com os pecadores.
5.3 Significados da parábola
Cada um dos personagens da parábola apresenta comportamentos diferentes. O filho que pede um terço da herança a que tem direito (o irmão por ser mais velho tem direito a dois terços da herança). Depois vai e esbanja tudo no prazer, nos desperdícios da vida até ao limite da sua sobrevivência afetiva e material. Chegado aí descobre que de todas as alternativas possíveis para continuar a sobreviver, a única possível era regressar ao amor do pai. Essa recordação do pai tinha-se transformado numa força imperiosa ao descobrir “alguém me ama”.
O filho mais velho, vazio de afetos, escravo de si mesmo, não aceita a atitude do pai.
Pretende cortar o caminho do amor que nunca tinha sido interrompido por parte do pai mas por ele. O pai não lhe vai exigir arrependimento mas oferece-lhe toda a ternura do seu coração. A festa proposta pelo pai é a alegria que vem de Deus, dum Deus “rico em misericórdia”. Não é possível evitar essa festa. Deus é amor e só pode gerar nas pessoas, amor. O centro da parábola não é o filho pródigo mas o pai bondoso.
5.4 Finalidade da parábola
Por um lado, Jesus mostra como perdoar, como age o seu coração em relação ao pecador. Por outro lado, revela o seu rosto enquanto ser humano nesta terra. É este Pai que encontramos nas outras duas parábolas: a da ovelha perdida e a da dracma perdida. O filho bom é Israel. E os justos de Israel sentem que o pai acolhe os perdidos e lhes oferece o seu banquete.
6. Meditação
Começar de novo. Saturado duma vida desigual, todo o homem sente necessidade de terminar com uma etapa de solidão, de escravidão e de deserto. Procura uma luz que ilumine os inícios dum novo dia e duma nova história num novo tempo e num novo espaço. A obscuridade do coração diz-lhe que não pode continuar. Ele é capaz. Porque não procurar a luz que um dia o guiou? Essa luz leva-o a encontrar a beleza e a esquecer o sujo do passado. Essa luz e essa beleza são manifestações do divino, da racionalidade das coisas, da plenitude da vida. Chegados aqui, entendemos a afirmação de Kant: “Não creio no Deus que os homens criaram, mas no Deus que criou os homens”. Deslumbramento!
7.Oração
7.1 Presença da misericórdia
Pouco tempo falta para a Páscoa. Eis o momento para me deixar ser julgado e perdoado pela tua misericórdia, meu Deus. Que eu queira ser como tu, Pai, e não como o irmão mais velho tão parecido ao homem da pós-modernidade. O teu gesto de mandares vestir de festa o teu filho, colocar-lhe anéis e vestir-lhe uma túnica colorida, invade meu espírito de uma grandeza surpreendente. Que eu descubra a caraterística interior do amor.
8. Contemplação
“DEUS NÃO TEM PLANOS, TEM SURPRESAS”! (D. António Couto)
Magra bagagem dos nossos gestos e palavras para avançar no deserto da misericórdia.
A minha salvação vem pela alegria, pelo Deus contente,
pela sedimentação dos meus pecados, pelo reconhecimento das minhas maldades.
Vivo neste mundo fragmentado e com ritmos quotidianos
que não são propícios à unificação do ser profundo.
Fazer a experiência de chegar a casa
e saber que tenho dois braços que me vão apertar,
dois olhos que me vão olhar, um rosto que para mim vai sorrir,
dá-me uma energia divina.
8.1 Poema
Tu serás homem novo
Se alguém está em Cristo, é uma nova criação:
Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo.
2Cor 5,17

Porque te deixas saciar do nada?
Murchando em ti o amor.
E não te aqueces à luz da madrugada
E perdes seu esplendor?

Eis o desafio de ser homem novo,
Feito no dia-a-dia,
Vencendo tempestades mares revoltos
Germinando a harmonia.

Leva tua beleza ao infinito.
Veste-te de virtude.
Por Deus pelos homens serás bendito
Teu ser de plenitude.

Lua da noite humilde e silenciosa
Sigo-te, sedutora.
Contemplo-te no alto dos céus formosa.
És força criadora.

Teofania dum Deus que virá,
Sua vide tem renovos.
De Aleluias brancas te cobrirá
Tu serás homem novo.

“A meio do caminho desta vida
Me vi perdido numa selva escura”.
Dante, Divina comédia
J. Rocha Monteiro in “Manhãs abertas”

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