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6. Meditação
Deus me conduz como Abraão. Caminho por desertos e falsos oásis. Ele é o Senhor da história e das nossas histórias. Enquanto o homem sonha nos seus desejos e ambições, Deus passa. Deus pede-nos para virar a página. É um tempo novo para caminhar. Foi o que aconteceu com a teofania no Tabor: “Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a Sua glória, fez resplandecer a luz da Sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da Cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na Sua cabeça” (prefácio, missa Transfiguração).
7. Oração
Mais uma vez, Senhor, a Tua interpelação radical. O teu rosto de luz pela fragilidade do irmão, do outro, qualquer que ele seja, ações no tempo que apelam para a eternidade.
Aquele prazer íntimo de alguém que está a dar tudo em hospitais, alguém que salva sem ninguém saber, alguém que dá a vida até ao fim. À tua porta tudo é luz, bondade, serenidade.
Obrigado pela fé de Abraão e pela luz que irradiou no monte Tabor e que irradia nos nossos pequenos montes, mesmo sem nos darmos conta. Tanto amor e doação do pai pelo seu filho, também ele “muito amado”, da mãe pelo seu lar, tecido duma doação total, do filho já crescido que tem tempo para dizer “pai, gosto de ti, és fantástico!”, “mãe, como inventas tempo para tanto fazeres? Amo-te”. Obrigado, Senhor, pela Tua Palavra na nossa vida. Ámen.
8. Contemplação
Mil anos decorridos, subi outra vez à montanha sagrada, e outra vez falei dizendo:
— Meu Deus, és minha ânsia suprema e minha plenitude.
Sou o teu ontem e Tu o meu amanhã.
Sou a tua raiz na terra e Tu és a minha flor no céu; juntos cresceremos à face do sol.
Então, Deus inclinou-se para mim e murmurou doces palavras aos meus ouvidos.
E como o mar envolve o regato que nele desemboca, assim Deus me acolheu.
Mas quando desci aos vales e planícies, vi que Deus também estava lá.
KHALIL GIBRAN em “O Louco”.
8.1 Poema
A chegada a Deus
«Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar» Gn 15,5
Passou a noite, festa de amor,
Clarão de sol brilhante, imperador.
Põe em fuga idolatrias, desonras,
Ficando só a árvore de pé, senhora.

Busco a luz da transfiguração.
Quanta falta me faz, tanta aflição!
Galáxias, estrelas, sinais de Deus,
Procuro com ardor caminhos meus.

O lume já tem carvão quaresmal,
O Espírito na Vigília virá.
Com fogo da montanha acenderá
Vidas luminosas no círio pascal.

Pai Abraão parte, não tenhas medo.
Teu deserto, lá longe, é meu deserto.
Não contes as estrelas, são segredo…
À porta de Deus nos levam por certo.

Um dia, numa noite, Deus virá,
Uma a uma as estrelas contará.
Haverá rosas brancas no banquete,
Miríades de anjos de azul celeste
Cantarão.

“A vida é um cântico de beleza,
Um chamamento à transcendência”.
CHAMALÚ, Índio Quechua

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