fbpx

Índice do artigo

O Pe. Rocha Monteiro, mais uma semana, partilha a sua proposta de lectio divina, a partir dos textos da liturgia.

1. Introdução
O segundo domingo da Quaresma tem, nos três ciclos A-B-C, a Transfiguração e a presença de Abraão. Este é a figura do ser humano à procura duma terra e à procura do suporte de Deus. Atravessa desertos humanos e planícies estéreis. Está inquieto: sem filhos, sem terra, e cheio de dúvidas. Aposta numa fé como aventura, como um caminho a fazer, uma peregrinação sagrada. Jesus é o homem novo a apontar-nos para os novos céus e a nova terra, neste ano, com os rasgos da misericórdia. O Tabor aponta-nos para a Páscoa e para a terra definitiva. É um tempo que exige de nós trabalho árduo.
2. Gen 15,5-12.17-18
2.1 Texto
Naqueles dias, Deus levou Abrão para fora de casa e disse-lhe: «Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». E acrescentou: «Assim será a tua descendência».
Abrão acreditou no Senhor, o que lhe foi atribuído em conta de justiça.
Disse-lhe Deus: «Eu sou o Senhor que te mandou sair de Ur dos caldeus, para te dar a posse desta terra». Abrão perguntou: «Senhor, meu Deus, como saberei que a vou possuir?» O Senhor respondeu-lhe: «Toma uma vitela de três anos, uma cabra de três anos e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho». (…)
Ao pôr-do-sol, apoderou-se de Abrão um sono profundo, enquanto o assaltava um grande e escuro terror. Quando o sol desapareceu e caíram as trevas, um brasido fumegante e um archote de fogo passaram entre os animais cortados. Nesse dia, o Senhor estabeleceu com Abrão uma aliança. (…)
2.2. Ritual de aliança
Abraão é envolvido num ritual muito antigo de celebrar uma aliança diante de animais devorados pelo fogo ao pôr-do-sol. Assim nasce e cresce a fé de Abraão que deposita a sua confiança total em Deus. Diz D. António Couto: “É tão simples, tão novo e tão decidido este sono/sonho dado a Abraão, a Pedro, João e Tiago!
Talvez devamos mesmo seguir o conselho de Isaías, o profeta: «Olhai para Abraão, vosso Pai» (Is 51,2). E partir com ele DAQUI, do penúltimo e provisório, ao encontro de Cristo Transfigurado / Ressuscitado”. O símbolo do fogo que aparece no ritual será a coluna de fogo que guiará Moisés na noite da fuga do Egito. Esta Aliança com Abraão prefigura, de alguma maneira, a Aliança com Jesus Cristo. Jesus não usará animais mas será o seu próprio sangue derramado pelos homens que selará a Aliança.
3. Salmo 26 (27)
3.1 Confiança no Senhor
O Salmo 26 é um salmo de quem se encontra em aflição e recorre ao senhor. Sabe que pode colocar n’Ele toda a confiança: “O Senhor é minha luz e salvação: a quem hei de temer? O Senhor é protetor da minha vida: de quem hei de ter medo? Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica, tende compaixão de mim e atendei-me”(…) Espero vir a contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos”.
4. Filip 3,17-4,1
4.1 Texto
Irmãos: Sede meus imitadores e ponde os olhos naqueles que procedem segundo o modelo que tendes em nós. Porque há muitos, de quem tenho falado várias vezes e agora falo a chorar, que procedem como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição. (…) A nossa pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo. (…).Portanto, meus amados e queridos irmãos, minha alegria e minha coroa, permanecei firmes no Senhor.
4.2 Vivemos do amor
O homem não pertence à terra. Deus é o autor do amor. As pegadas do nosso caminho são as de Jesus. Passam pela cruz. O valor do que fazemos vem do amor que tornamos presente. O cristianismo não é uma teoria nem a fé um conjunto de saberes. A nossa vida é o estar com, o viver na presença de Deus. Não é o ver-se envolvido em normas mas o permanecer firme na espera do Senhor.
5. EVANGELHO Lc 9,28b-36
5.1 Texto
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar.
Enquanto orava, alterou-se o aspeto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». (…) Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». (…)
5.2. Sentido da transfiguração
O mistério da transfiguração do Senhor tem três sentidos muito importantes. O primeiro é apontar-nos para o itinerário da Páscoa do Senhor. O segundo é preparar o futuro dos discípulos. O terceiro é dar sentido ao nosso caminho quaresmal. A transfiguração é iluminada pelo mistério da paixão de Jesus Cristo; do monte Tabor, diz-se, pode ver-se o monte Calvário em dias com boa luminosidade. O que escutamos de Deus «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O», acena para o seguimento que todos devemos fazer de Jesus. Somos um povo na estrada. Temos sempre novos “Êxodos”. Jesus ao explicar o seu caminho convida-nos a percorrê-lo com as mesmas peripécias e na mesma direção.


6. Meditação
Deus me conduz como Abraão. Caminho por desertos e falsos oásis. Ele é o Senhor da história e das nossas histórias. Enquanto o homem sonha nos seus desejos e ambições, Deus passa. Deus pede-nos para virar a página. É um tempo novo para caminhar. Foi o que aconteceu com a teofania no Tabor: “Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a Sua glória, fez resplandecer a luz da Sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da Cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na Sua cabeça” (prefácio, missa Transfiguração).
7. Oração
Mais uma vez, Senhor, a Tua interpelação radical. O teu rosto de luz pela fragilidade do irmão, do outro, qualquer que ele seja, ações no tempo que apelam para a eternidade.
Aquele prazer íntimo de alguém que está a dar tudo em hospitais, alguém que salva sem ninguém saber, alguém que dá a vida até ao fim. À tua porta tudo é luz, bondade, serenidade.
Obrigado pela fé de Abraão e pela luz que irradiou no monte Tabor e que irradia nos nossos pequenos montes, mesmo sem nos darmos conta. Tanto amor e doação do pai pelo seu filho, também ele “muito amado”, da mãe pelo seu lar, tecido duma doação total, do filho já crescido que tem tempo para dizer “pai, gosto de ti, és fantástico!”, “mãe, como inventas tempo para tanto fazeres? Amo-te”. Obrigado, Senhor, pela Tua Palavra na nossa vida. Ámen.
8. Contemplação
Mil anos decorridos, subi outra vez à montanha sagrada, e outra vez falei dizendo:
— Meu Deus, és minha ânsia suprema e minha plenitude.
Sou o teu ontem e Tu o meu amanhã.
Sou a tua raiz na terra e Tu és a minha flor no céu; juntos cresceremos à face do sol.
Então, Deus inclinou-se para mim e murmurou doces palavras aos meus ouvidos.
E como o mar envolve o regato que nele desemboca, assim Deus me acolheu.
Mas quando desci aos vales e planícies, vi que Deus também estava lá.
KHALIL GIBRAN em “O Louco”.
8.1 Poema
A chegada a Deus
«Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar» Gn 15,5
Passou a noite, festa de amor,
Clarão de sol brilhante, imperador.
Põe em fuga idolatrias, desonras,
Ficando só a árvore de pé, senhora.

Busco a luz da transfiguração.
Quanta falta me faz, tanta aflição!
Galáxias, estrelas, sinais de Deus,
Procuro com ardor caminhos meus.

O lume já tem carvão quaresmal,
O Espírito na Vigília virá.
Com fogo da montanha acenderá
Vidas luminosas no círio pascal.

Pai Abraão parte, não tenhas medo.
Teu deserto, lá longe, é meu deserto.
Não contes as estrelas, são segredo…
À porta de Deus nos levam por certo.

Um dia, numa noite, Deus virá,
Uma a uma as estrelas contará.
Haverá rosas brancas no banquete,
Miríades de anjos de azul celeste
Cantarão.

“A vida é um cântico de beleza,
Um chamamento à transcendência”.
CHAMALÚ, Índio Quechua

Siga-nos

Visite as livrarias

Quem Somos

Somos uma editora católica, fiel ao carisma de S.João Bosco. Especializados em catequese e pastoral juvenil, estamos em Portugal há quase 70 anos. "Educação e Evangelização" é o nosso lema. Temos lojas próprias nas cidades do Porto, Lisboa e Évora e estamos presentes nas principais livrarias católicas portuguesas.

Contactos

Rua Duque de Palmela, 11
4000-373 PORTO

(+351) 225 365 750

edisal@edicoes.salesianos.pt