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O confinamento e a suspensão da vida comunitária nas paróquias, voltou a sublinhar a importância das famílias como Igreja-Doméstica. Mas a verdade é que nem todas estavam preparadas para assegurarem a continuidade da evangelização, até aqui depositada inteiramente na catequese, o ritmo celebrativo do ano litúrgico e a importância da oração como alimento da fé.

 

 

Ao poucos, e à medida em que nos é possível refletir sobre as mudanças que a pandemia provocou - ou precisa de provocar! - na Igreja - novas propostas se vão fazendo e redescobrindo.

Neste artigo, e porque estamos em Maio, recordamos a série de livros "Mistérios da Fé" um itinerário de oração familiar a partir da recitação do terço. São da autoria da Teresa Power, fundadora do Movimento Famílias de Caná e são fruto da experiência concreta de oração diária da sua família numerosa com 8 filhos, um deles no céu. 

É ela quem nos explica o que podemos encontrar neste itinerário que procura revitalizar a espiritualidade familiar. 

OS PRINCÍPIOS

1. O mandamento da educação

Um dos mandamentos mais bem guardado pelo povo bíblico é aquele a que eu chamo “o mandamento da educação”. Surge no Deuteronómio e marca o ritmo e a vida dos judeus desde o início. Aliás, é graças a este mandamento que as Escrituras chegaram até nós, atravessando séculos e séculos sem a palavra escrita, sem a imprensa, sem a catequese formal. Diz assim:
Escuta, Israel! O Senhor nosso Deus é o nosso único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças. E trarás no teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno. Tu as repetirás muitas vezes a teus filhos e delas falarás quando estiveres sentado em casa ou andando pelos caminhos, quando te deitares ou te levantares.” (Deut 6, 4-7) E acrescenta: “Quando amanhã teu filho te perguntar: ‘Que significam estes mandamentos, estas leis e estes decretos que o Senhor nosso Deus vos prescreveu?’, então responderás ao teu filho.” (Deut 6, 20-21)
Os primeiros cristãos levaram à risca este mandamento. Nas suas casas, transformadas em verdadeiras Igrejas Domésticas, contavam as histórias de Jesus, relatos dos Evangelhos que passavam de boca em boca. Na sinagoga, que continuavam a frequentar, escutavam as profecias antigas e as histórias de Israel, fascinados por poderem constatar como Jesus as tinha verdadeiramente encarnado e cumprido. Os discursos dos Apóstolos nos Atos e em todas as Cartas insistem sempre neste ponto: Jesus veio para cumprir as Escrituras. Pedro, Paulo, João e todos os Apóstolos deleitavam-se na verificação de que Jesus realizava os belíssimos oráculos do Senhor e dava Corpo às mais antigas promessas feitas aos patriarcas. Certamente que os seus olhos brilhavam ao escutar as Escrituras antigas, agora que conheciam Jesus.
Entre todos os judeus maravilhados com a Encarnação das Escrituras em Jesus, ninguém ultrapassou o espanto orante da Sua Mãe. Maria, dizem-nos os Evangelhos, guardava no coração todos os detalhes da vida do seu Filho. As palavras dos salmos e dos profetas vinham-lhe naturalmente à memória ao contemplar cada episódio da vida de Jesus, e toda Ela transbordava gratidão ao ver cumprirem-se as Escrituras diante dos seus olhos extasiados.
A Igreja cresceu neste espanto diante da Palavra. Todos os dias, na missa, é-nos oferecido um Evangelho que vem iluminar oráculos antigos, canções, lendas, narrativas, contos, e História, a que chamamos Antigo Testamento. Entre um e outro, cantamos os salmos e o Hallel, como os judeus faziam e fazem até aos dias de hoje, para que tudo se transforme em oração.
O que foi que, entretanto, aconteceu? Quando foi que deixámos de contar as histórias novas e velhas aos nossos filhos, de transmitir a doutrina e a Palavra ao redor da mesa familiar? A verdade é que, quando “o mandamento da educação” perdeu a sua força, os filhos deixaram de saber o que perguntar, e os pais, o que responder. A Igreja Doméstica adormeceu.

A grande maravilha do Evangelho é que, para Deus, estamos sempre a tempo. Temos, como todas as gerações, o modelo perfeito para imitar e recuperar: a Mãe. A oração do Rosário foi-nos oferecida para que pudéssemos, como Maria, rezar a vida de Jesus, contemplá-la mistério a mistério, episódio a episódio, para nos maravilharmos diante da Palavra que se cumpre em cada momento.
Na minha casa foi assim que tudo começou…

2. Os mistérios bíblicos

Hora da oração familiar. Neste recanto acolhedor onde nos reunimos, diante de uma imagem de Maria com o Menino, um crucifixo, uma vela acesa e uma Bíblia aberta, preparamo-nos para rezar o Terço.
“Mãe, qual é a história hoje?” Perguntam os mais novos. E eu respondo que, hoje, é a história do nascimento de Jesus, ou a história da sua Paixão, ou talvez alguns episódios da sua vida pública, ou ainda, a história do que se passou a partir da sua Ressurreição. Cada conjunto de cinco mistérios conta uma história. Saberemos contá-la, nós também, assim partida em episódios pequeninos, aos nossos filhos? Saberemos escutá-la ao ritmo das ave-marias?
Mas as perguntas não terminam aqui. Porque cada mistério da vida de Jesus traz em si o pleno cumprimento de mistérios antigos, vividos por tantos outros personagens bíblicos. Com um bocadinho de atenção, de pesquisa, de oração, iremos aprender a relacioná-los. Quando o conseguimos, o espanto torna-se contemplação: Jesus é, realmente, a encarnação das Escrituras antigas!
De terço na mão, mistério a mistério, podemos crescer no conhecimento das Escrituras, desde o livro do Génesis ao Apocalipse e, como um puzzle imenso, tudo começará a fazer sentido. Sobretudo, a nossa própria vida, também ela apanhada no enredo desta magnífica aventura bíblica. Vamos a isso?
Tal como as Escrituras, também "Os Mistérios da Fé" foram primeiro Palavra vivida, desembrulhada com simplicidade no nosso cantinho de oração, serão após serão, quando nos reuníamos para rezar. A pesquisa que, durante o dia, eu ia fazendo, partilhava-a nesta hora sagrada, contagiando a família com o meu espanto: “Não imaginam o que hoje descobri!” Só mais tarde, estas descobertas familiares foram fixadas na escrita e, mais tarde ainda, num livro que podemos consultar e usar nas nossas casas.
Escolhi os vinte mistérios do Rosário como o fio condutor de todas as histórias que aqui conto. E escolhi o Rosário precisamente porque ele nos conta a história de Jesus, desde o anúncio do Anjo Gabriel até à glorificação de Nossa Senhora.

Para cada mistério, procurei nas Escrituras uma história antiga, uma promessa sagrada que Jesus viria, mais tarde, cumprir. A vida de Jesus deixa-se assim iluminar pela vida de algum rei, profeta, patriarca ou guerreiro antigo, e a vida destes heróis bíblicos ganha novos contornos à luz que sobre ela derrama o Evangelho. Ambas as passagens bíblicas se tornam então para nós num espelho divino, onde podemos contemplar a nossa própria vida e tomar consciência da missão a que fomos chamados.
Um mistério, três histórias: 

a) uma da vida de Jesus,

b) uma de algum outro personagem bíblico,

c) a minha própria história.

Vinte mistérios, e a nossa viagem atravessa os quatro Evangelhos e a maior parte dos outros livros da Bíblia, do Génesis ao Apocalipse, dos Salmos aos Profetas, dos Reis aos Atos.
Temos, então, um livro precioso entre as mãos. Como o podemos utilizar?


 

A PRÁTICA

Um itinerário de catequese familiar

Planifiquemos o trabalho de cada mistério de acordo com o ano litúrgico. Podemos, assim, trabalhar:

os Mistérios Gozosos » no Advento e Natal,

os Dolorosos » na Quaresma,

os Gloriosos » na Páscoa,

os Luminosos » no Tempo Comum. Aqui, destacaremos ainda alguns episódios, como o Batismo, a Instituição da Eucaristia e a Transfiguração, para as datas mais próximas da sua celebração no ano litúrgico.

Depois, podemos selecionar um mistério por semana para uma catequese familiar. O domingo, sendo o dia do Senhor, é talvez o dia em que mais tempo podemos dedicar ao estudo da Palavra. Escolhamos um recanto aconchegado da casa, tornado espaço de oração familiar. Sentemo-nos juntos, com o capítulo – o mistério – escolhido entre mãos. E comecemos.

1. Questionar para Acreditar

Comecemos como Jesus começava em sua casa, bom judeu que era: perguntando.

Os Evangelhos estão cheios de perguntas de Jesus. Muitas e muitas vezes, Jesus responde com uma pergunta a quem O interroga. Ninguém acredita sem, antes, questionar.
São tantas as perguntas que nos surgem na mente e no coração quando nos dispomos a pensar e a rezar! Cada capítulo começa com uma pergunta, e antes de o trabalharmos, podemos dar-nos – e aos filhos - algum espaço para tentativas de resposta.

2. Escutar para Responder

A Bíblia é, do princípio ao fim, a resposta de Deus aos nossos anseios mais profundos. Para respondermos às perguntas que nós próprios colocamos à vida, a Deus e aos outros, escutemos a Palavra!
As crianças pequeninas precisarão que sejam os pais a recontar as histórias, com palavras mais simples. “Gosto tanto quando tu contas, mãe!” Dizem-me os meus filhos mais novos. Mas convém repetir, sublinhar, marcar bem algumas frases da Bíblia, sem as modificar. As crianças gostam de rimas, memorizações e lenga-lengas, e algumas passagens bíblicas parecem escritas para elas!
O capítulo faz depois uma explicação das passagens e procura transpô-las para a nossa vida de hoje. Esta explicação está pensada para adultos, que a devem ler, meditar, rezar, antes de a recontar aos mais novos. Às vezes, sugerem-se exemplos da vida dos santos. Porque não desafiar os mais novos a pesquisar as suas histórias, para as apresentar à família noutra ocasião?
No final de cada capítulo, temos ainda algumas propostas de trabalho, todas elas muito bíblicas na sua natureza:

3. Contar para Lembrar

“Lembra-te, ó Israel”, repete o Antigo Testamento vezes sem conta. E o “mandamento da educação” diz-nos isto mesmo: é preciso repetir as histórias da nossa salvação. As perguntas pretendem simplesmente ajudar os ouvintes a repetir o que acabaram de ouvir, a fim de nunca o esquecer. Estão feitas de forma a que não nos percamos num emaranhado de ideias, e possamos manter o foco no essencial.


4. Criar para Guardar no Coração

Assim fazia Maria, não é mesmo? Guardar no coração. É preciso que a Palavra se torne pessoal, que possamos anotar um verso que nos tocou mais profundamente, que possamos fazer um desenho, escrevinhar um pensamento. No livro, há um espaço físico onde isso pode ser feito. Mas também podemos ter connosco um caderno de apontamentos, um diário espiritual, preparado apenas para os tempos de catequese familiar ou pessoal. 

5. Fazer para se Comprometer

Toda a Bíblia fala de compromisso, e o amor entre Deus e nós é um amor de aliança. Qual o meu compromisso, a partir da Palavra que hoje escutei? Pode pensar-se num compromisso familiar, se for importante. Ou cada elemento da família pode ter o espaço espiritual para o seu próprio compromisso.

6. Pôr em prática para Construir sobre a Rocha

O meu compromisso concretiza-se em gestos, atitudes e palavras novas, isto é, em conversão. Ser cristão é praticar a Palavra! Construiremos assim a nossa casa sobre a Rocha, alicerçaremos assim a nossa vida em Jesus.


7. Rezar para encontrar

Só a oração nos permitirá, por fim, encontrar verdadeiramente Jesus. As palavras sugeridas no livro são uma ajuda muito pobre. Para além delas, é preciso o silêncio, e para lá do silêncio, as orações que compõem um mistério do Rosário. Rezemo-lo com amor, passando as avé-marias ao ritmo de toda a Palavra que acabámos de escutar!

 A META

Catequese após catequese, domingo após domingo, a família irá descobrir uma forma nova – e tão antiga – de se aproximar de Jesus. E por Jesus e em Jesus, irá descobrir o tesouro das Escrituras e da Doutrina, pedacinho a pedacinho, como Maria fazia.
Saúdo as Igrejas que se reúnem em vossas casas!

Teresa Power, Famílias de Caná, autora dos livros Mistérios da Fé – maio 2020

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MisteriosDaFe 3 Capa 175  

Mistérios da Fé

Vol. 1

Mistérios da Fé

Vol. 2

Mistérios da Fé

Vol. 3

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NOTA: Os livros "Mistérios da Fé" apresentam-se em três volumes, independentes entre si e sem ordem sequencial. Cada um apresenta propostas diferentes.

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